sábado, 25 de março de 2017

Cheguei ao fundo da estrada,

Duas léguas de nada,

Não sei que força me mantém.

É tão cinzenta a Alemanha

E a saudade tamanha,

E o verão nunca mais vem.


Quero ir para casa

Embarcar num golpe de asa,

Pisar a terra em brasa,

Que a noite já aí vem.

Quero voltar

Para os braços da minha mãe,

Quero voltar

Para os braços da minha mãe.

Trouxe um pouco de terra,

Cheira a pinheiro e a serra,

Voam pombas

No beiral.

Fiz vinte anos no chão,

Na noite de Amsterdão,

Comprei amor

Pelo jornal.

Quero ir para casa

Embarcar num golpe de asa,

Pisar a terra em brasa,

Que a noite já aí vem.

Quero voltar

Para os braços da minha mãe,

Quero voltar

Para os braços da minha mãe.

Vim em passo de bala,

Um diploma na mala,

Deixei o meu amor p'ra trás.

Faz tanto frio em Paris,

Sou já memória e raiz,

Ninguém sai donde tem Paz.


Quero ir para casa

Embarcar num golpe de asa,

Pisar a terra em brasa,

Que a noite já aí vem.

Quero voltar

Para os braços da minha mãe,

Quero voltar

Para os braços da minha mãe.


Por todas as lágrimas contidas, todos os assentimentos de bem estar forçados, toda a mágoa que a distância impõe, que desabam e caem por terra após cada telefonema. Porque pior do que toda a dor, só a inquietação que provocaríamos ao relevarmos o quão desalentados nos sentimos.