quinta-feira, 29 de dezembro de 2016
A ansiedade do inevitável e doloroso regresso é brevemente atenuada pela perspetiva de reviver aquele cheiro, aquele toque nos cabelos, a mesa barulhenta ao jantar. À chegada, ignora-se o que em todos está tão presente. O subentendido Fizeste-me falta, mãe, acompanhado de tantos É demasiado difícil estar longe, pai, Não saias já, mana, vamos ver mais um episódio, vamos fazer mais uma tarte. Não adormeças já, meu amor, Não acordes já, meu amor, deixa-me olhar-te um pouco mais, pacífico, enquanto dormes. ficam retidos, atormentando a nossa mente. Observamo-los, o modo como se comportam, as pequenas diferenças, a forma como se nos dirigem... a dúvida sobre quem somos, se ainda somos nós. Observamos e afastamos uma tristeza que retorna instantaneamente. Somos confrontados com o que já sabíamos: como um íman, a nossa atenção é atraída para tudo o que estamos a perder. Começa a haver alguma irritação patente nas frases delicadas. Frases seguidas de um sentimento de culpa. Sentimo-nos traídos por tudo o que permitimos ocorrer na nossa ausência. Preciso de vocês. ( A frase não pronunciada que agrava a dor tanto como nos conforta. Revitaliza algo em nós ao mesmo tempo que nos quebra. Subitamente, as fraquezas já não têm importância: o cenário geral dentro de nós é constrangedora e abertamentemente desolador.).
Aguardamos. Sentimo-nos saltitar de excitação porque finalmente vamos para casa! Sorrimos de forma sentida, em momentos ao acaso, ao lembrarmo-nos de que está mesmo quase. Uma parte de nós, sensata, cautelosa, evita o assunto, afasta-o do pensamento. A parte de nós que receia com todo o coração que algo suceda e contrarie o nosso destino feliz. Essa parte impede a manifestação exuberante do nosso entusiasmo: we are, finally, going home.
Algures no tempo, foi-nos incutida a ideia de voar em função dos nossos sonhos. Sonhos ou necessidades que, não raramente, nos encaminham para mais longe das nossas origens. Aos poucos, vamo-nos habituando à rotina da bagagem, tornamo-nos peritos em check-in's e nas orientações de viagem e a ação de voar torna-se, assim, natural. Natural, sim, mas não mais fácil.
Embarcámos um dia sem nunca termos pensado na derradeira e genuína alegria que que voar nos traria: na realidade, trata-se tão somente da magia de voltar a casa.
Algures no tempo, foi-nos incutida a ideia de voar em função dos nossos sonhos. Sonhos ou necessidades que, não raramente, nos encaminham para mais longe das nossas origens. Aos poucos, vamo-nos habituando à rotina da bagagem, tornamo-nos peritos em check-in's e nas orientações de viagem e a ação de voar torna-se, assim, natural. Natural, sim, mas não mais fácil.
Embarcámos um dia sem nunca termos pensado na derradeira e genuína alegria que que voar nos traria: na realidade, trata-se tão somente da magia de voltar a casa.
O rosto enche-se de lágrimas, tão impossíveis de conter, tão carregadas de dor escondida.
Não importa já a imagem de força que tentámos desesperada mas convincentemente transmitir o resto dos meses. Naquele momento, tudo em nós se enche de saudade - uma saudade tão imensa e insuportável, saudade antecipada e sofrida desde o momento que chegamos e antevimos a partida.
E por tudo isto, cada regresso despedaça-nos o coração.
quinta-feira, 15 de dezembro de 2016
It's gotta get easier, oh easier somehowCause I'm falling, I'm falling.
Eu preciso de aniversários, das enfáticas comemorações, em datas anónimas aos olhos dos que nos observam, e de sorrisos espontâneos. Sem eles, o árduo torna-se esgotante e absolutamente desprovido de sentido.
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Eu preciso de aniversários, das enfáticas comemorações, em datas anónimas aos olhos dos que nos observam, e de sorrisos espontâneos. Sem eles, o árduo torna-se esgotante e absolutamente desprovido de sentido.
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Do not get me wrong, I cannot wait for you to come home
For now you're not here and I'm not there, it's like we're on our own
To figure it out, consider how to find a place to stand
Instead of walking away and instead of nowhere to land
És tudo o que eu queria, e eu nem sabia que podia querer alguém. No alto da certeza dos meus sete anos, segura como só uma criança pode ingenuamente estar, eu afirmava não necessitar de outro ser para me completar. Eu conquistaria o mundo, e fá-lo-ia sozinha, na perfeita noção, que tanto se cultiva presentemente, de que não necessitaria de outro ser para ser excecional. Nutria em mim um sentimento que é estranho a muitas pessoas e francamente fingido por outras: o de fazer questão de apreciar a minha própria companhia, numa aposta absoluta nas minhas capacidades e num crescendo de sonhos ambiciosos. Eu, um modelo minúsculo de planos, dos sete aos vinte anos.
This is going to break me clean in two
This is going to bring me close to you
She is everything I need that I never knew I wanted
She is everything I want that I never knew I needed
She is everything I need that I never knew I wanted
She is everything I want that I never knew I needed
Foi com surpresa que me rendi a ti. A ideia de me poder apaixonar era irreal e a junção do amar sem submeter parecia demasiado difícil. Não obstante, todos os dias descobria o modo como adorava algo que em momento algum aspirei. Todos os dias me apercebia de que o mundo, outrora tão definido, estava a ser, nervosa e sorridentemente, colocado em questão. E de forma tão natural. Subitamente, criei fraquezas, derivadas de pedaços de felicidade encontrados num olhar sob aquela gravata - aquela que te ficaria de arrasar, e o cheiro do café que tão pouco aprecio. São esses mesmos pedaços de felicidade, constantemente presentes, que me partem o coração ao saber-te longe.
It's all up in the air and we stand still to see what comes down
I don't know where it is, I don't know when but I want you around
When it falls into place with you and I, we go from if to when
Your side and mine are both behind it's indication
This is going to bring me clarity
This'll take the heart right out of me
She is everything I need that I never knew I wanted
She is everything I want that I never knew I needed
She is everything I need that I never knew I wanted
She is everything I want that I never knew I needed
Repentinamente, és essencial. Começaste a sê-lo antes de to expressar. Entre um "vamos ver o que isto dá" e o "oh meu Deus, permite que isto resulte!", com enfase no último e um medo subordinado ao primeiro. Uma sensação aterradora pela força com que nos sustenta.
Repentinamente, uma forma de redimensionar o conceito de "não tenho tempo" tornou-se imperativa. Clareza. Trouxeste-me tanta clareza. No meio de todas as incertezas que passaram a dominar o meu futuro, tu tornaste-te o meu porto de abrigo. E meu amor, soubeste disso já tarde! Não to transpareci, não podia. Não consegui, e, por vezes receio, ter-te-ei afastado de mim.
Não me interpretes mal. É um texto nostálgico, mas cheio de certeza de que foste o melhor que me aconteceu. Despoletaste em mim todos os sonhos, como mais ninguém conseguiu. Todos os sonhos do mundo que eu, de todas as pessoas, estou a concretizar.
This is going to bring me to my knees
I just want to hold you close to me
She is everything I need that I never knew I wanted
She is everything I want that I never knew I needed
She is everything I need that I never knew I wanted
She is everything I want that I never knew I needed
She is everything I needed
She is everything
És tudo. Eu só quero voltar a casa - o que, novamente, se traduz no teu abraço.
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