Aguardamos. Sentimo-nos saltitar de excitação porque finalmente vamos para casa! Sorrimos de forma sentida, em momentos ao acaso, ao lembrarmo-nos de que está mesmo quase. Uma parte de nós, sensata, cautelosa, evita o assunto, afasta-o do pensamento. A parte de nós que receia com todo o coração que algo suceda e contrarie o nosso destino feliz. Essa parte impede a manifestação exuberante do nosso entusiasmo: we are, finally, going home.
Algures no tempo, foi-nos incutida a ideia de voar em função dos nossos sonhos. Sonhos ou necessidades que, não raramente, nos encaminham para mais longe das nossas origens. Aos poucos, vamo-nos habituando à rotina da bagagem, tornamo-nos peritos em check-in's e nas orientações de viagem e a ação de voar torna-se, assim, natural. Natural, sim, mas não mais fácil.
Embarcámos um dia sem nunca termos pensado na derradeira e genuína alegria que que voar nos traria: na realidade, trata-se tão somente da magia de voltar a casa.
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