Cheguei ao fundo da estrada,
Duas léguas de nada,
Não sei que força me mantém.
É tão cinzenta a Alemanha
E a saudade tamanha,
E o verão nunca mais vem.
Quero ir para casa
Embarcar num golpe de asa,
Pisar a terra em brasa,
Que a noite já aí vem.
Quero voltar
Para os braços da minha mãe,
Quero voltar
Para os braços da minha mãe.
Trouxe um pouco de terra,
Cheira a pinheiro e a serra,
Voam pombas
No beiral.
Fiz vinte anos no chão,
Na noite de Amsterdão,
Comprei amor
Pelo jornal.
Quero ir para casa
Embarcar num golpe de asa,
Pisar a terra em brasa,
Que a noite já aí vem.
Quero voltar
Para os braços da minha mãe,
Quero voltar
Para os braços da minha mãe.
Vim em passo de bala,
Um diploma na mala,
Deixei o meu amor p'ra trás.
Faz tanto frio em Paris,
Sou já memória e raiz,
Ninguém sai donde tem Paz.
Quero ir para casa
Embarcar num golpe de asa,
Pisar a terra em brasa,
Que a noite já aí vem.
Quero voltar
Para os braços da minha mãe,
Quero voltar
Para os braços da minha mãe.
Por todas as lágrimas contidas, todos os assentimentos de bem estar forçados, toda a mágoa que a distância impõe, que desabam e caem por terra após cada telefonema. Porque pior do que toda a dor, só a inquietação que provocaríamos ao relevarmos o quão desalentados nos sentimos.
sábado, 25 de março de 2017
domingo, 19 de fevereiro de 2017
Há um debate interior contra o qual lutamos veemente. Não experimentes isso. Comes esse doce para a semana. Vamos às compras quando chegar. Começamos essa série no sábado à noite. Vamos a esse restaurante antes de eu voltar. Todo um conjunto de pedidos que nos assaltam quando alguém que nos é tão próximo fala na hipótese de fazer algo novo eminentemente. Logo agora que estamos quase a chegar, estamos quase quase aí, pensamos. Temos completa noção do quão egoísta são estes múltiplos pedidos. A noção é tal que às vezes não os verbalizamos. Não obstante, há uma parte de nós, sempre presente, sempre latente, que nos impele. Corresponde ao medo gigante de não estarmos presentes e de todos esses acontecimentos subitamente passarem a decorrer sem nós; a contrastar com a tímida súplica de adiamento da vida da outra pessoa - não por uns dias, ou umas semanas, mas pela eternidade a que se assemelha o tempo longe dela.
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